Input:
(Nosso take do dia)
A disputa judicial-digital entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, e (por que não dizer?) entre ministros de um politizado TSE, ganhou novo e importante capítulo ontem, quando decisões de Nunes Marques e Villas Bôas Cueva determinaram à Meta, e, por extensão, ao Google e ao X, que analisassem alegados problemas referentes ao canal de WhatsApp Exército do Lula, de André Janones, e à conta de Instagram de Nikolas Ferreira, e enviassem ao TSE amplos relatórios com dados técnicos a respeito.
As determinações às plataformas são amplas, mas, no fundamental, pretendem que a Meta responda se, no caso do Exército do Lula, houve algum “comportamento coordenado potencialmente irregular” ou se se trata de “mobilização legítima” e, no caso do Instagram de Nikolas, houve algum favorecimento algorítmico que tenha resultado no imenso alcance de suas publicações.
No primeiro, Nunes Marques ordenou à Meta que forneça relatório com “metodologia, critérios, resultados e limitações” no qual haja “explicitação dos parâmetros técnicos utilizados para identificação e classificação” de comportamento coordenado. No segundo, Cueva afirmou ser “necessário compreender as métricas de distribuição do alcance, especialmente a origem das visualizações, a participação de seguidores e não seguidores e as superfícies pelas quais os conteúdos foram disponibilizados aos usuários, de modo a distinguir, na medida tecnicamente possível, a circulação decorrente de recomendações daquela resultante de outras formas de acesso e compartilhamento”. As duas decisões são ilustrativas de um expediente que se tornou presente na reta final do segundo turno em casos de alto calibre: pedidos de informação técnica e de abertura de informações sobre recomendação, moderação e outros funcionamentos das empresas de tecnologia pelo TSE.
São, de certa forma, faces da mesma moeda. Ambos os ministros querem que a Meta avalie se há alguma anomalia e, para tanto, dê transparência sobre como seus sistemas funcionam e como a empresa se garante contra manipulação que possa alterar a “paridade de armas” entre as candidaturas.
Os casos ilustram tensões latentes no campo das políticas digitais há anos entre a necessidade da transparência para fiscalizar como plataformas como a Meta funcionam (especialmente em temas tão essenciais para a vida nacional) e o risco de que a transparência, seja sobre o funcionamento dos algoritmos, seja sobre como atores maliciosos são combatidos, possa justamente facilitar a ação daqueles que querem driblar o sistema e suas salvaguardas. Há, ainda, elementos concorrenciais e de segredo de negócio que derivam de situações concretas.
Outro argumento defende que atores mais sofisticados aprendem de qualquer jeito, testando a plataforma, e que a abertura de informações alimentaria um controle social e uma prestação de contas possivelmente benéfica, a partir de uma comunidade de outras plataformas, pesquisadores e jornalistas, habilitados a reconhecer a mesma rede de manipulação em outro lugar. Nesta hipótese, a transparência armaria os dois lados.
De qualquer forma, a opacidade tem um custo de legitimidade que os casos de Janones e Nikolas ilustram muito bem: toda decisão, seja de agir ou não agir, é lida como viés político, e - na pressionada Justiça Eleitoral - a querela acaba sendo arbitrada em liminar de 12 ou 24 horas a pedido de uma das partes. A Meta e as demais plataformas ficam, então, diante de uma situação insólita. Uma investigação qualquer de coordenação inautêntica pode levar de semanas a meses, muito improvável que qualquer informação de qualidade pudesse ser produzida em um dia.
Resta saber o que o TSE fará com essa enxurrada de informações técnicas a poucos dias da eleição. Não basta exigir transparência: é preciso ter capacidade institucional para interpretar, confrontar e avaliar criticamente os dados recebidos. Relatórios produzidos pelas próprias plataformas, em prazos exíguos, podem oferecer explicações importantes, mas também recortes parciais, conclusões provisórias e informações que podem não ser inteligíveis sem conhecimento especializado. O risco é que esse material seja incorporado seletivamente às disputas judiciais (e a decisões de última hora!), conferindo uma aparência de comprovação técnica a narrativas que ainda precisariam ser investigadas.
Gallo
Prompt:
(As manchetes mais importantes)
🏛️ TSE dá 24h para Meta e X explicarem tratamento favorável a Flávio
⚖️ Kassio exige relatório da Meta sobre canal "Exército do Lula"
📱 TSE dá 12h para Meta explicar alcance do perfil de Nikolas no Instagram
🌍 Relatores da ONU criticam censura de canais de WhatsApp no Brasil
🚗 Justiça livra Uber de pagar indenização milionária
🔒 Falhas no PHP levam Anatel e tribunais a suspender sistemas no Brasil
💥 Vulnerabilidade no PHP dispara corrida global por correção
🧠 IA da OpenAI descobriu bugs no PHP que ameaçam milhões de sites
⚖️ Processos judiciais criam regime regulatório de fato para big techs
📊 Nasdaq cai com temor sobre gastos bilionários da Meta em IA
🏗️ Gigantes de tech prometem mais dinheiro e transparência em data centers
🌐 FMI e OCDE alertam: IA pode ampliar fosso entre países ricos e pobres
🇧🇷 Brasil
▌ JUDICIÁRIO
_ TSE dá 24h para Meta e X explicarem tratamento que beneficiaria Flávio (Folha)
O TSE determinou que Meta e X apresentem esclarecimentos técnicos sobre uso de IA, distribuição de conteúdos políticos, veiculação de anúncios eleitorais e remoção de publicações.
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que assinou a decisão, fixou multa diária de R$ 500 mil por empresa em caso de descumprimento - a suspeita é de favorecimento algorítmico ao candidato Flávio Bolsonaro nas plataformas da Meta e no X de Elon Musk.
_ Kassio manda Meta apresentar relatório detalhado sobre "Exército do Lula" (Folha)
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para a Meta detalhar as atividades do canal no WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
A decisão inclui a exigência de que a empresa explique os critérios para diferenciar "mobilização legítima" de "comportamento coordenado potencialmente irregular" e apresente análise dos padrões de engajamento do canal.
_ TSE dá 12 horas para Meta explicar alcance do perfil de Nikolas no Instagram (Folha)
O TSE deu prazo de 12 horas para a Meta explicar a amplificação algorítmica do perfil de Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, com multa de R$ 100 mil por hora de atraso.
Um vídeo publicado no perfil de Nikolas em 20 de outubro atingiu 103,2 milhões de visualizações em 9 horas e mais de 160 milhões no total - número que supera publicações de Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo, além da conta oficial do próprio Instagram.
_ Relatores da ONU criticam censura de canais de WhatsApp na eleição brasileira (Folha)
Relatores da ONU para liberdade de associação e assembleia criticaram a censura de canais de WhatsApp na eleição do Brasil, citando preocupações com direitos fundamentais.
A especialista Gina Romero afirmou que "os espaços virtuais de assembleia cidadã e coordenação política devem estar livres de interferências indevidas, tanto por parte de empresas quanto de autoridades."
_ Justiça livra Uber de pagar indenização milionária (Valor)
Uma decisão da Justiça de São Paulo livrou a Uber de ter que pagar uma indenização de R$ 10 milhões por não fornecer pontos de apoio adequados aos motoristas da plataforma. A ação foi proposta pelo Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP). Ainda cabe recurso.
No processo, o MPT afirma que investigações mostraram que os motoristas atuam sem “condições mínimas de higiene, descanso e segurança durante a jornada”. A falta de acesso a banheiros limpos, água potável, locais protegidos para descanso, alimentação ou recarga de celulares foram apontados no processo para pedir a condenação da Uber.
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ Bernie Sanders e deputados dos EUA cobram Meta por atuação na eleição do Brasil (Folha)
Bernie Sanders se uniu a 11 deputados democratas liderados por Pramila Jayapal em carta a Mark Zuckerberg cobrando explicações sobre suspeitas de tratamento desigual às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais.
A iniciativa ocorre dois dias depois de cinco organizações da sociedade civil pedirem ao Congresso dos EUA uma investigação sobre a atuação da Meta na eleição brasileira, incluindo solicitações de preservação de registros internos e realização de audiências públicas.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Falhas no PHP levam Anatel e tribunais a suspender sistemas; governo emite alerta (G1)
A Anatel e tribunais suspenderam por precaução o uso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) após a identificação de duas falhas graves de segurança no PHP - linguagem usada em cerca de 70% dos sites da web.
O governo brasileiro emitiu alerta para que órgãos públicos atualizem imediatamente o software; as falhas podem permitir que invasores assumam o controle de servidores sem precisar de login ou senha.
_ 98% dos ataques contra candidatas no X seguem no ar após o primeiro turno (InternetLab)
Levantamento do MonitorA identificou 1.101 ataques contra 143 mulheres candidatas no X: 98% permanecem no ar, apesar do compromisso da plataforma com o TSE de moderar conteúdos ofensivos.
▌ NEGÓCIOS
_ iPhone Duo começa a ser vendido no Brasil; preços partem de R$ 22 mil (Folha)
O iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, chega ao varejo brasileiro nesta sexta (23), com preços entre R$ 22 mil e R$ 31 mil na versão com 2 TB de armazenamento.
O aparelho concorre com o Galaxy Z Fold 8 da Samsung, cujos preços no Brasil vão de R$ 12.499 a R$ 19.399 na versão Ultra - a chegada da Apple ocorre quase sete anos após a Samsung lançar seus primeiros dobráveis.
🌍 Mundo
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Falha no PHP gera corrida global por correção e deixa sites offline (NYT)
Governos e empresas ao redor do mundo correram para evitar que hackers explorassem uma vulnerabilidade no PHP, linguagem de programação amplamente utilizada.
_ Outubro Negro: bugs descobertos por IA da OpenAI criam emergência cibernética (Axios)
Sites usados diariamente podem ter sido vulneráveis a hackers por anos por causa de falhas ocultas no código que apenas a IA descobriu recentemente.
_ Hackers chineses espionaram milhares de empresas via brecha na ConnectWise (TechCrunch)
Hackers chineses espionaram milhares de empresas após comprometer a ConnectWise, gigante de TI cujos sistemas são amplamente usados por provedores de serviços gerenciados.
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ A reação jurídica que está forçando mudanças nas Big Techs (NYT)
Uma série de processos judiciais criou um novo regime regulatório de fato, com tribunais ordenando que empresas como Meta e Google mudem suas práticas de negócios - e paguem por isso.
_ IA e seus riscos estão integrados às eleições de meio de mandato nos EUA (NYT)
É a primeira eleição de meio de mandato nos EUA em que a IA está integrada a todas as principais plataformas de mídia social - e os esforços para conter seus danos são desiguais.
_ Nvidia, Anthropic e OpenAI batem recorde de gastos com lobby nos EUA (The Verge)
Nvidia, Anthropic e OpenAI tiveram seu trimestre de maior gasto em lobby entre julho e setembro, totalizando quase US$ 6 milhões - com Nvidia liderando (US$ 2,2 mi), seguida de Anthropic (US$ 2,1 mi) e OpenAI (US$ 1,5 mi).
O período coincidiu com visitas frequentes de CEOs de tecnologia à Casa Branca e com o "acordo moral" de segurança em IA assinado com o presidente Trump em setembro.
_ Avaliadores externos encontram falhas no sistema de monitoramento de IA da OpenAI em revisão piloto (Reuters)
As organizações de avaliação de segurança de IA METR e Redwood Research encontraram diversas novas vulnerabilidades no sistema interno da OpenAI, entre elas uma brecha que agentes poderiam ter usado para impedir que centenas de suas ações fossem monitoradas, em uma análise-piloto realizada no início deste ano.
O exercício, conduzido de 21 de julho a 11 de agosto, deu a pesquisadores externos "um nível profundo de acesso" à infraestrutura interna da OpenAI para as chamadas avaliações embarcadas,
_ Receita da Meta na Europa cai com opção de menor personalização de anúncios (Wired)
A receita publicitária da Meta na Europa cresceu 18% no terceiro trimestre - abaixo dos 33% registrados nos EUA e Canadá -, desacelerando desde que a empresa ofereceu a usuários europeus a opção de menos personalização de anúncios.
O modelo de anúncios menos personalizados foi lançado após reguladores da UE concluírem que a Meta violava o Digital Markets Act e aplicarem multa de € 200 milhões.
▌ JUDICIÁRIO
_ Procurador-geral do Novo México avisa setor de IA após condenação de US$ 25 bi contra a Meta (Politico)
O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, disse que a condenação recorde deve encorajar outros estados a levar a indústria de tecnologia a julgamento.
▌ NEGÓCIOS
_ Nasdaq cai 2,9% com temor sobre planos bilionários de gastos da Meta em IA (Folha)
As ações da Meta despencaram 7% após a empresa prever que precisará levantar "centenas de bilhões de dólares" ao longo de vários anos para financiar sua aposta em IA, reduzindo seu valor de mercado em cerca de US$ 124 bilhões.
O Nasdaq 100 recuou 2,9% e o S&P 500 caiu 1,2%; títulos do Tesouro americano de dez anos tiveram seu melhor desempenho diário desde meados de 2024, com o rendimento caindo para pouco menos de 5%.
_ Mercado de IPOs nos EUA "paralisado" à espera da estreia da Anthropic (O Globo)
O debate sobre IA está mantendo IPOs paralisados, com outubro caminhando para o menor volume de ofertas nos EUA no ano - bilhões em capital e meses de preparativos estão em jogo.
Empresas de infraestrutura de IA como Nscale (Reino Unido) e DayOne Data Centers (Cingapura) tentam convencer investidores de seu valor, mas o apetite por risco desapareceu com a queda de ações de pares como a CoreWeave.
_ OpenAI reduz meta de avaliação para US$ 1,25 trilhão em nova captação (Folha)
A OpenAI reduziu sua meta de avaliação de US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão na rodada liderada pelo Morgan Stanley, após enfrentar demanda mais fraca que o esperado de clientes de gestão de fortunas.
A nova avaliação ainda representaria salto de quase 50% sobre o valor atual de US$ 852 bilhões - a empresa busca levantar US$ 30 bilhões antes de abrir o capital no próximo ano.
_ Como o Claude Duet, da Anthropic, se diferencia do Muse, da Meta (Valor)
A Anthropic lançou o Claude Duet, seu agente pessoal de IA para consumidores, entrando na corrida ao lado do Muse (Meta), do Dots (OpenAI) e de outros concorrentes no mercado de agentes de IA.
▌ SOCIEDADE / COMPORTAMENTO
_ Primeira greve de trabalhadores de chips em Taiwan atinge fábrica da Micron (Valor)
Um sindicato de trabalhadores da Micron Technology deflagrou a primeira greve na história do setor de semicondutores em Taiwan, em disputa sobre a divisão dos lucros gerados pelo boom da IA.
▌ INFRAESTRUTURA
_ Google derruba 250 mil árvores na Finlândia e acende debate ambiental sobre IA (O Globo)
Cerca de 250 mil árvores foram derrubadas em uma área de 330 hectares em Muhos, no norte da Finlândia, para a construção de data centers do Google - as obras foram temporariamente suspensas pelas autoridades.
O projeto integra um investimento de aproximadamente € 13 bilhões do Google na Finlândia, o maior do tipo já anunciado no país, que se tornou um dos principais destinos da expansão global de data centers impulsionada pela IA.
_ Pressionadas, Big Techs prometem mais dinheiro e transparência em data centers (AP News)
Diante de resistência crescente a novos data centers, gigantes de tecnologia prometem às comunidades anfitriãs mais dinheiro e menos sigilo sobre seus projetos.
▌ GEOPOLÍTICA
_ DeepSeek abre código de modelo de IA em meio às restrições entre China e EUA (Bloomberg)
A DeepSeek tornou público o código de seu modelo de IA enquanto China e EUA intensificam restrições mútuas ao acesso a tecnologias estratégicas.
_ Pentágono criou agência secreta de sabotagem cibernética, revelam fontes (Politico)
O Pentágono estabeleceu discretamente o Technology Support Office (TSO), agência voltada à execução de ataques cibernéticos e operações de sabotagem tecnológica.
_ Ataques ucranianos a data centers russos interrompem serviços e pesquisa de IA (AP News)
Ataques ucranianos a data centers russos interromperam serviços essenciais e prejudicaram pesquisas de inteligência artificial na Rússia.
▌ ESTUDOS E PESQUISAS
_ FMI e OCDE: IA pode ampliar disparidade entre países ricos e pobres (Folha)
O FMI estima que a adoção eficaz da IA poderá adicionar até 0,5% ao crescimento global anual no médio prazo, enquanto a OCDE projeta ganho de 0,4% a 1,2% na produtividade anual de seus países-membros.
Países mais pobres, empresas menores e trabalhadores mais jovens correm risco de ficar de fora, a menos que haja melhorias no acesso à energia, à infraestrutura digital e às habilidades - alerta que surge enquanto investimentos em chips e IA já sustentam mercados em níveis recordes.
📎 Outras notícias de que talvez você goste
💭 O que você achou da edição de hoje?
Nós lemos cada resposta - responda este e-mail e nos diga como podemos melhorar!



