Input:
(Nosso take do dia)
Passado mais de um ano do julgamento do STF que discutiu a constitucionalidade do art. 19 do Marco Civil da Internet, quais as questões em aberto para a remoção de conteúdos ilícitos na internet?
A Input, consultoria de políticas públicas e tecnologia que edita esta newsletter, publica hoje o relatório "Novos desafios na responsabilidade de provedores de aplicações de internet", que objetiva trazer respostas para aquela pergunta. Ele produz uma síntese de duas oficinas que reuniram atores de diferentes setores do campo digital para debater o tema. Esse projeto foi feito com o apoio do Mercado Livre (aliás, leia aqui a respeito da transparência sobre como operamos).
O esforço reuniu, em duas oficinas presenciais em São Paulo, realizadas em abril e agosto, cerca de 35 advogados, pesquisadores e representantes do poder público e da sociedade civil por encontro, todos com atuação na interseção entre direito e tecnologia.
As conversas foram feitas sob as regras Chatham House, um encontro em que os participantes podem usar livremente o que foi dito, mas não podem revelar quem disse nem a que instituição a pessoa pertence. O objetivo é permitir conversas mais francas. Representantes de diversos setores podem testar ideias, admitir dúvidas ou expor posições que não sustentariam publicamente, sem medo de serem citados em matéria de jornal ou de criar constrangimento institucional.
A primeira oficina, em abril, discutiu o cenário aberto pelo julgamento. A segunda, em agosto, foi convocada depois que os decretos de maio e a decisão do STF sobre os embargos, em junho, trataram de vários dos temas levantados.
O diagnóstico de partida é de que, ao ampliar deveres dos provedores, o novo regime deixou para a aplicação prática a definição de novos parâmetros de diligência. Da síntese da conversa entre profissionais de empresas, acadêmicos, sociedade civil e setor público, emergiram três frentes de debates:
Deveres de “cuidado” e de “diligência”: como novos deveres de diligência devem ser compreendidos e executados, especialmente em serviços de grande escala e com funções e modelos diferentes? Quais alternativas podem dar mais concretude à sua supervisão? Um ponto de atenção levantado e debatido é como executar esses deveres em funções de comércio eletrônico, que recebeu tratamento específico pelo STF.
Notificações extrajudiciais: em que medida um pedido extrajudicial de remoção de conteúdo deve ser obrigatoriamente atendido e qual o papel do conceito da “dúvida razoável” nessa análise? As oficinas foram palco de discussão sobre como lidar com a instrumentalização abusiva de notificações (por concorrentes ou pessoas movidas por ideologias para remover ofertas de produtos legítimas, por exemplo) e com pedidos massivos ou pouco específicos, em que a identificação precisa do conteúdo se torna um desafio.
Governança: as oficinas discutiram como construir ambientes regulatórios com segurança jurídica e padrões técnicos compartilhados. Ainda, os participantes discutiram também em que medida o cumprimento dos novos deveres depende de múltiplos fatores, como dados públicos.
A partir dessas três frentes de debates, o documento compila agendas relevantes de discussão para o futuro que foram objeto de atenção compartilhada, mesmo que participantes tenham visões diferentes sobre seu papel:
a padronização técnica, com papel possível para mecanismos de autorregulamentação;
uma agenda que dê reforço à deferência regulatória aos órgãos com expertise, independência e competência, em conjunto com coordenação institucional com outras autoridades;
um debate sobre ações do Poder Público para aperfeiçoar o ecossistema, incluindo transparência no envio de notificações e compartilhamento de bases de dados relevantes à atuação diligente de provedores;
a definição de parâmetros mais concretos para o dever de cuidado e a atuação diligente; e
um detalhamento maior das regras aplicáveis às notificações extrajudiciais, inclusive levando em conta a tutela do ECA Digital.
Com efeito, as discussões trazidas neste material oferecem subsídios para compreender o quadro regulatório em vigor e contribuir para enfrentar os desafios em aberto. Seja qual for a conjuntura da política e das políticas digitais em 2027, o documento tira uma fotografia importante: é um registro de quais são as questões em aberto do ponto de vista multissetorial, inclusive em tópicos mais distantes da disputa partidária.
Chico e Gallo
Prompt:
(As manchetes mais importantes)
🏛️ ANPD dá 5 dias para Meta explicar suspensão de contas
🗳️ Campanhas gastaram R$ 290 mi com a Meta, dobro de 2022
📱 ANPD vai mirar rolagem infinita e vício nas redes em 2027
⚖️ Campanha de Lula acusa Meta de descumprir decisões do TSE
📷 Falha de segurança permite acesso indevido a 58 mil câmeras do Smart Sampa
🌐 Zero rating nas eleições falhou no Gov.br e no Serpro
👶 Austrália vai processar Facebook e TikTok por banir menores
🎮 Noruega quer incluir jogos nocivos na proibição a menores
📊 Dívida da CoreWeave vira problema de todo o setor de IA
🤖 EUA proíbem agências federais de usar IA da DeepSeek
🔬 S&P Global: big techs têm mais dívidas de IA do que revelam
🇧🇷 Brasil
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ ANPD dá cinco dias para Meta explicar suspensão de contas e remoção de posts (G1)
A ANPD abriu procedimento administrativo e enviou ofícios à Meta para que a empresa explique denúncias de possíveis violações aos direitos dos usuários na suspensão de contas, remoção de publicações e restrição de alcance de conteúdos.
O processo foi motivado por manifestação do MPF, denúncias de organizações da sociedade civil e petições de cidadãos; relatos com repercussão eleitoral foram encaminhados ao TSE.
_ Campanhas declararam quase R$ 290 mi em gastos com a Meta, mais que o dobro de 2022 (G1)
Os candidatos gastaram ao menos R$ 288,7 milhões diretamente com a Meta em 2026 - recorde histórico e mais que o dobro dos R$ 129 milhões declarados em 2022.
A fatia da Meta no total de gastos eleitorais saiu de 0,7% em 2018 para 6% em 2026; os dados ainda são parciais, com prazo de prestação final de contas até novembro.
_ Alvo de Flávio, ANPD vai mirar rolagem infinita e vício nas redes em 2027 (Radar Big Tech)
ANPD está reformulando sua agenda regulatória para os próximos dois anos. O documento funciona como bússola do que a agência vai transformar em regulamento ou guia a ser seguido pelas empresas seguirem.
Um dos esforços regulatórios e de fiscalização prioritárias será o combate ao design manipulativo. Proibido no decreto presidencial que regulamentou o ECA Digital, é o conjunto de técnicas para promover o uso compulsivo de plataformas digitais.
_ ANPD deve intensificar fiscalização do ECA Digital a partir de janeiro de 2027 (Conjur)
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) intensificará, a partir de janeiro de 2027, as ações de fiscalização do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital.
A data consta do cronograma de implantação das soluções de aferição de idade, divulgado pela agência em março, e marca o início da fase em que as sanções previstas na lei podem ser aplicadas de forma sistemática.
_ Zero rating das teles nas eleições falhou nos acessos ao Gov.br e ao Serpro (Convergência Digital)
A Anatel admitiu ao STF que o zero rating eleitoral apresentou falhas nos domínios do Gov.br e do Serpro, além dos aplicativos e-Título, Pardal e Boletim na Mão, atribuindo os problemas à dependência dessas aplicações de serviços externos.
A agência informou que trabalha com o TSE para mitigar as falhas no segundo turno e agendou reunião técnica com as operadoras de telefonia móvel para alinhar correções de encaminhamento.
▌ JUDICIÁRIO
_ Campanha de Lula acusa Meta de descumprir o TSE e favorecer Flávio Bolsonaro (O Globo)
A coligação de Lula acionou o TSE acusando a Meta de descumprir decisões judiciais e favorecer Flávio Bolsonaro por meio de IA e algoritmos das plataformas, pedindo punição à empresa a seis dias do segundo turno.
Entre os episódios relatados estão a geração de imagens com o número 22 pelo Meta AI sem que o usuário mencione o candidato, e erros de tradução que transformariam críticas ao senador em manifestações de apoio.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Falha de segurança permite acesso indevido a 58 mil câmeras do Smart Sampa (UOL)
Uma falha no maior sistema de vigilância público da América Latina, o Smart Sampa, permitiu por quase um ano o acesso indevido a mais de 58 mil câmeras ligadas à plataforma administrada pela Prefeitura de São Paulo, expondo a segurança de milhões de paulistanos.
O UOL localizou dados do Smart Sampa, que deveriam ser restritos e sigilosos, expostos na internet.
▌ NEGÓCIOS
_ Netflix e Globo fecham maior acordo de licenciamento de conteúdo entre as duas (Convergência Digital)
Netflix e Globo anunciaram o maior acordo de licenciamento já realizado entre as empresas: 18 obras originais da Globo - 14 filmes, 3 novelas e 1 série - estarão disponíveis na plataforma a partir de dezembro, com licenças para diferentes territórios.
Entre os títulos estão Ainda Estou Aqui, de Walter Salles (vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, apenas para o Brasil), e novelas como Caminho das Índias (para EUA e América Latina, exceto Brasil); as estreias se estendem até meados de 2027.
▌ INFRAESTRUTURA
_ Reatores nucleares para data centers devem ser realidade no Brasil em 2040 (TeleSíntese)
O presidente da ABDC, Renan Alves, avalia que pequenos reatores modulares (SMR) para abastecer data centers no Brasil são uma possibilidade para aproximadamente 2040, com custos e regulamentação como principais desafios.
Alves destacou que a instalação de um SMR próximo ao data center permitiria considerar localidades onde a infraestrutura elétrica disponível não atende ao projeto, contornando o gargalo de transmissão.
🌍 Mundo
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ Austrália vai processar Facebook e TikTok por descumprir proibição a menores (Bloomberg)
O governo australiano vai processar Facebook, TikTok e outras grandes plataformas por suposto descumprimento da proibição nacional de redes sociais para menores de 16 anos, segundo a ministra de Comunicações, Anika Wells.
_ Noruega quer proibir plataformas de jogo 'nocivas' a menores de 16 anos (Folha)
O governo norueguês alterou projeto de lei para incluir jogos e plataformas de mensagens "nocivas" - aquelas que representem risco ao desenvolvimento emocional, cognitivo ou à segurança das crianças - na proibição de redes sociais para menores de 16 anos.
Apps como TikTok, Snapchat e o jogo Roblox deverão enfrentar restrições; as plataformas terão de implementar por conta própria sistemas de verificação de idade.
_ Democratas apostam que regular IA pode ser vantagem eleitoral no Congresso dos EUA (The Verge)
Com pesquisas apontando ampla preocupação pública sobre IA em empregos e educação, democratas miram a regulação do setor como trunfo nas eleições de meio de mandato, podendo retomar o controle de comitês e convocar CEOs de empresas de IA a depor.
Líderes democratas já sinalizaram disposição para pressionar a indústria sobre créditos fiscais vinculados a data centers e incidentes recentes de hacking com uso de IA.
_ Japão planeja certificações para data centers e serviços em nuvem (Valor)
O Japão estabelecerá um sistema de certificação de segurança para data centers e serviços em nuvem, buscando incentivar tecnologias seguras em finanças e saúde e bloquear riscos provenientes de China, Rússia e outros países.
▌ JUDICIÁRIO
_ Uber escapa de indenização de R$ 2,3 bilhões pedida por taxistas de Londres (G1)
A Alta Corte de Londres rejeitou dois processos que somavam cerca de £ 340 milhões (R$ 2,3 bilhões) movidos por cerca de 13 mil taxistas tradicionais e por duas antigas empresas de transporte privado contra a Uber.
O juiz Simon Birt extinguiu as ações com base no prazo legal de seis anos, entendendo que os autores poderiam ter descoberto a suposta fraude antes de 2018, sem analisar o mérito das acusações.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Ex-funcionário da OpenAI acusado de espionagem teria apoio do governo saudita (Valor)
Promotores dos EUA afirmaram em documento judicial que um ex-engenheiro da OpenAI acusado de instalar dispositivo de gravação em sala de reuniões da diretoria da empresa parece ter recebido apoio considerável do governo saudita.
_ Hacker invadiu John Deere e SharkNinja com exército de agentes de IA (The Verge)
Um hacker invadiu mais de 100 sites usando agentes de IA que operaram de forma quase autônoma, com vítimas incluindo John Deere, SharkNinja e Cummins, em ataques a empresas dos EUA, Canadá, Austrália e Japão, segundo a firma de segurança Norforge.
O hacker usou a plataforma open-source Cairn para orquestrar os ataques; as invasões bem-sucedidas levaram cerca de 20 minutos e foram instruídas com menos de 100 caracteres chineses.
▌ NEGÓCIOS
_ A dívida da CoreWeave está se tornando o problema de todo o setor de IA (The Verge)
Os títulos da CoreWeave entraram em território de estresse - quando investidores exigem 1.000 pontos-base a mais de retorno do que títulos do governo - e as ações caíram mais de 20% em uma semana, com reflexos em outras empresas de IA.
Um dos cofundadores da CoreWeave disse ao Financial Times que a empresa quer elevar sua dívida ao grau de investimento para captar recursos de seguradoras, cujo capital seria, nas suas palavras, "ilimitado".
_ OpenAI busca acelerar captação de recursos antes do IPO da Anthropic (Reuters)
A OpenAI corre para garantir compromissos de investidores antes da esperada estreia da rival Anthropic na bolsa, em meados de novembro, numa captação excepcionalmente rápida que pode avaliar a dona do ChatGPT em mais de US$ 1,4 trilhão, segundo duas pessoas a par do assunto.
O cronograma acelerado reflete, em parte, o desejo de se antecipar à Anthropic, já que os dois laboratórios de fronteira recorrem cada vez mais a uma base de investidores semelhante.
_ Waymo planeja expandir frota para 8 mil veículos até o fim de 2026 (Semafor)
A Waymo pretende dobrar sua frota de 4 mil para 8 mil veículos até o fim de 2026 e chegar a 20 mil até o fim de 2027, segundo fontes.
▌ INFRAESTRUTURA
_ ByteDance, Alibaba e Tencent fazem pedidos de chips Nvidia de US$ 35 bi (Reuters)
ByteDance, Alibaba e Tencent encomendaram mais de 3 milhões das novas placas de vídeo RTX PRO 5500 da Nvidia, com preço de tabela somado de mais de US$ 35 bilhões. As empresas correm atrás de um chip menos potente, mas dentro das regras de exportação, em meio às restrições dos EUA ao comércio com a China.
A fabricante americana de chips Nvidia disse a clientes e parceiros que não pode garantir o atendimento das encomendas, porque a demanda das empresas chinesas de tecnologia supera em muito a produção planejada.
_ Texas prometeu pausar licenças para data centers, mas segue aprovando mesmo assim (404media)
Ativistas e ONGs identificaram que a agência ambiental do Texas (TCEQ) continuou analisando e aprovando licenças para data centers após o governador Greg Abbott pedir uma pausa no processo em 21 de setembro.
No mesmo dia em que as ONGs divulgaram o achado, o Texas Tribune reportou que Abbott recebeu US$ 9 milhões em doações de desenvolvedores e proprietários de data centers.
_ Planos de grande data center em Devon, na Inglaterra rural, enfrentam forte rejeição (NYT)
Planos para construir um dos maiores data centers da Europa em Devon, na Inglaterra, encontraram forte oposição de moradores locais em meio a crescentes preocupações ambientais.
▌ GEOPOLÍTICA
_ EUA proíbem agências federais de usarem tecnologia de IA da chinesa DeepSeek (Valor)
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) ordenou que agências federais removam de seus sistemas qualquer tecnologia de IA desenvolvida pela empresa chinesa DeepSeek.
_ EUA sancionam "Y Combinator chinês" em caso de roubo de segredos de IA do Google (Bloomberg)
Washington colocou na lista negra uma firma de venture capital chinesa fundada pelo ex-cientista de IA da Microsoft Lu Qi, por supostos vínculos com uma startup acusada de roubar tecnologia do Google.
▌ ESTUDOS E PESQUISAS
_ S&P Global: big techs provavelmente têm mais dívidas de IA do que revelam (Valor)
A S&P Global estima que as maiores empresas de tecnologia do mundo provavelmente têm mais passivos relacionados à IA do que se sabe atualmente, embora seu principal analista do setor não veja necessidade de alterar recomendações.
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