Input:
(Nosso take do dia)
Na segunda-feira Elon Musk prometeu com um tweet: "No próximo ano, eu darei uma das minhas ações da SpaceX para cada criança na América [Estados Unidos]. Esta será a primeira de muitas”. A declaração veio na esteira de um outro anúncio, este da Anthropic, que no domingo publicara um blogpost informando que estava destinando 5% de suas ações ao Fundo de Benefício Público da Anthropic, uma nova entidade cuja participação na empresa cresce conforme a própria Anthropic cresce.
Os dois movimentos elevam a um novo patamar os compromissos (bilionários) que as gigantes empresas da inteligência artificial vêm fazendo em um momento em que crescem a ansiedade e a desconfiança do público em relação à tecnologia e suas companhias. Igualmente se avolumam indicadores de que poderão causar disrupções significativas no mercado de trabalho e aumentar ainda mais, nos próximos anos, a proporção da renda do capital vis-à-vis a renda do trabalho.
No momento em que escrevemos, uma ação da SpaceX vale US$ 147,73. Em julho de 2025, o Census Bureau estimou em 72 milhões o número de crianças e adolescentes abaixo de 18 anos nos Estados Unidos. Fosse a doação feita agora, as ações totalizariam US$ 10,6 bilhões. Musk não deu detalhes sobre como pretende operacionalizar as doações; a Bloomberg reportou que ele o faria pelas Contas Trump, instrumento de poupança e investimento criado no ano passado pelo presidente dos EUA.
No caso da Anthropic, tomando por base a abertura de capital que a empresa pretende fazer no mês que vem, com uma avaliação estimada em US$ 2 trilhões, o comprometimento giraria em torno de US$ 100 bilhões. A empresa informou que a cada valorização de 50% da Anthropic acima de um patamar de referência, o conselho poderá acrescentar outros 2%. Disse ainda que optou por constituir o fundo como uma LLC (sociedade de responsabilidade limitada) inteiramente controlada pela Anthropic, e não como uma entidade filantrópica para poder alternar entre diferentes modalidades de doação. A empresa citou como exemplo de tema a ser endereçado os impactos no mercado de trabalho: segundo ela, embora já tenha destinado US$ 200 milhões ao estudo dos efeitos da inteligência artificial, “no ritmo em que a IA avança, talvez sejam necessárias respostas mais ousadas".
Não é nova no Vale do Silício a tese de que as disrupções tecnológicas forçariam as sociedades a repensar a proteção social. Em novembro de 2016, em uma entrevista à CNBC, referindo-se ao futuro desemprego causado pela automação, Musk afirmou: “há uma boa chance de acabarmos com uma renda básica universal, ou algo parecido, por causa da automação. Não sei bem o que mais daria para fazer”. Em maio de 2017, em um discurso de formatura de Harvard, Mark Zuckerberg defendeu que um novo contrato social era necessário. “Deveríamos explorar ideias como a renda básica universal para garantir que todos tenham uma rede de segurança para experimentar novas ideias”. Diversos outros CEOs defenderam ideias similares.
Ainda que significativas, eram, de todo modo, defesas de um conceito, a respeito de um futuro potencial, que apenas começava a se materializar. (Curiosamente, o comentário de Musk foi feito 4 dias antes da primeira eleição de Donald Trump, quando o então candidato surpreendia o mundo com seu desempenho eleitoral, atribuído, em parte, aos empregos que haviam sido perdidos no cinturão industrial). Ao defender a renda básica universal, essa corrente de pensamento colocava nos governos o ônus de resolver os problemas causados pelo próprio desenvolvimento tecnológico ocasionado pelas empresas.
Mas a maré mudou. Na última década assistimos à reversão brutal da reputação das big techs após uma década de techlash; as grandes corporações de tecnologia e seus donos ficaram estratosfericamente mais ricos; surgiram as plataformas de inteligência artificial generativa, e também a consequente ansiedade até existencial de muitos a respeito do impacto no mercado de trabalho e na vida como um todo.
Então já não era mais possível para as empresas apenas defender a renda básica universal, eximindo-se de dar a sua contribuição. Daí os anúncios que vimos essa semana. Como dizem os americanos, devemos tomá-los com um grão de sal.
Em primeiro lugar, porque há desconfiança a respeito de que as promessas serão efetivamente cumpridas. Em 2021, Musk disse que doaria 6 bilhões de dólares para acabar com a fome no mundo se as Nações Unidas pudessem explicar como isso se daria (ele havia sido provocado pelo diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Twitter a doar esse valor para evitar que 42 milhões de pessoas passassem fome), algo que não fez.
Depois, no caso de Musk, porque as ações que prometeu doar representam apenas 1,1% do total de 6,42 bilhões de ações que ele controla na SpaceX. Num exercício de imaginação, se a SpaceX tiver o sucesso extraordinário da Tesla e se valorizar 28.000%, cada ação valeria US$ 41,5 mil, algo obviamente nada desprezível, mas não seria um valor que faria as pessoas atravessarem a vida.
No caso da Anthropic, relevante notar que é ela própria quem está definindo o que é benefício público ao constituir seu fundo, e perguntar se iniciativas individuais, sem ao menos coordenação com governos e outros entes, têm o condão de resolver problemas coletivos.
Finalmente, e o mais importante para nós brasileiros: a promessa de Musk é doar ações para crianças americanas; a se considerar o histórico do Vale do Silício, o fundo da Anthropic tenderá a contribuir para resolver problemas americanos e europeus. Onde, nisso, entram o Brasil e os países em desenvolvimento? Se são pequenas, proporcionalmente a seus valuations e riquezas pessoais, ainda que vultosas em valores, as contribuições que Musk e Anthropic fazem agora, elas podem ter efeitos mitigatórios em países ricos, mas, por omissão, aumentar ainda mais o fosso que os separa dos países de renda média e baixa.
Gallo
Prompt:
(As manchetes mais importantes)
🧩 Conselho da Meta aponta falhas recorrentes na moderação eleitoral
💥 Meta recusa canal de emergência para jornalistas atacados na eleição
⚖️ Gilmar Mendes pede que Justiça Eleitoral fique atenta a abusos de big techs
🏛️ TSE reúne Meta e campanhas; empresa admite falha, mas nega favorecer Flávio
🤖 Vídeos de IA inundam eleição brasileira e desafiam autoridades eleitorais
🔍 Cade abre inquérito contra Uber por práticas anticoncorrenciais contra Wexp
🚗 Juiz condena Uber a pagar R$ 50 mil por item extraviado na plataforma
👶 TCU identifica lacunas no combate à exploração sexual infantil na internet
🔒 MP-SP abre apuração sobre falha de segurança no Smart Sampa
📊 Joel Kaplan, chefe de políticas globais da Meta, deixa a empresa após 15 anos
🇫🇷 França convoca plataformas em reunião de emergência por protestos e saques
🍎 CMA britânica propõe que Apple reduza taxas e barreiras no Apple Pay
💸 Anthropic registra prejuízo de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre de 2026
🛰️ Musk teria ordenado desaceleração do Starshield na Ucrânia e falado com Trump
🇧🇷 Brasil
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
▌ JUDICIÁRIO
_ Gilmar Mendes defende controle contra abusos de big techs nas eleições (Valor)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez um apelo para que a Justiça Eleitoral permaneça atenta a possíveis “abusos” das grandes empresas de tecnologia nas eleições. A declaração foi dada a jornalistas durante o XXIX Congresso Internacional de Direito Constitucional do IDP, nesta terça-feira (20), em Brasília.
“Nós sempre tivemos essa preocupação de não engendrar e não permitir que se engendrassem abusos pelas big techs. Se viu que isso ocorreu, aparentemente estão sendo feitos os ajustes”, declarou o magistrado.
_ Em reunião no TSE, Meta admite falha, mas diz que não beneficiou Flávio (Valor)
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, se reuniu na noite desta terça-feira (20) com representantes da Meta e das campanhas dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Bellizze é relator da ação em que ficou determinado o tratamento igualitário entre as campanhas em plataformas.
A reunião foi solicitada pela empresa. Nela, seus representantes esclareceram pontos da decisão de Bellizze que já foram totalmente cumpridos e outros que estariam pendentes por impossibilidades técnicas ligadas à arquitetura das plataformas. Eles afirmaram, no entanto, que medidas estão sendo tomadas para que a ordem da corte seja integralmente atendida.
_ Sob pressão do TSE e das campanhas, Meta vira foco de disputa antes da eleição (G1)
A quatro dias do segundo turno, o TSE intensificou as discussões com representantes da Meta e das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre o funcionamento dos algoritmos das redes sociais e possíveis prejuízos aos candidatos.
A campanha de Flávio também busca se posicionar na disputa, alegando prejuízos causados pela atuação da Meta e tentando evitar que apenas o PT seja considerado prejudicado.
_ 'Manipulação algorítmica': o que alega a campanha de Lula contra a Meta (O Globo)
A campanha de Lula acusa a Meta de favorecer Flávio Bolsonaro por meio de "manipulação algorítmica", alegando que ferramentas de IA generativa, de recomendação e de revisão de anúncios teriam funcionado de forma desigual.
A ação cita também amplificação algorítmica "atípica" do perfil de Instagram de Nikolas Ferreira (PL-MG) e aponta que o canal de Flávio no WhatsApp teria sido recomendado algoritmicamente apesar da proibição do TSE.
_ Uber é responsável por item extraviado enviado pela plataforma, decide juiz (JOTA)
Em ação civil pública movida pelo MPRJ, a Uber foi condenada a pagar R$ 50 mil em danos morais coletivos por item extraviado enviado pela plataforma.
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ Cade instala inquérito contra Uber por práticas anticoncorrenciais (Valor)
A área técnica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um inquérito para investigar se a Uber adotou práticas anticoncorrenciais contra a plataforma de gestão de gastos Wexp. Com esse passo, a análise terá sequência e poderá ser arquivada ou se tornar uma investigação, etapa necessária para haver condenação após análise pelo Tribunal do órgão administrativo, se for o caso.
_ Planos de Lula e Flávio para IA, data centers e soberania digital (Olhar Digital)
O plano de Lula trata IA como política pública, com foco em desenvolvimento tecnológico próprio, regulação para evitar abusos e proteção de trabalhadores; o de Flávio prioriza uso da IA para eficiência pública e produtividade privada, com legislação inspirada em práticas internacionais para atrair investimentos.
"Um programa olha com mais intensidade para a construção do motor e para as regras de voo; o outro enfatiza a pista que permite acelerar", resume o especialista José Batista Queiroz Filho.
_ Anatel: agentes de IA abrem lacuna regulatória nas telecomunicações (Convergência Digital)
Relatório de Monitoramento da Competição da Anatel do 3º trimestre de 2026 aponta que a IA liderou os debates no setor pelo terceiro trimestre consecutivo, enquanto agentes de IA expõem lacunas regulatórias nas telecomunicações.
CDNs e data centers aparecem pela primeira vez no Top 5 do relatório, na segunda posição, impulsionados pela aprovação do Redata, o regime especial de tributação para data centers.
_ Novo decreto do SAC encerra 'autorregulação' de plataformas digitais (Conjur)
Especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico citam a inclusão de plataformas digitais no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) como a principal alteração no Decreto 13.135/26, que institui novas normas de fiscalização e regulamenta o Código de Defesa do Consumidor.
Novo decreto faz exigências a plataformas digitais para proteger o consumidor
Segundo eles, a medida atualiza a proteção, que passou a incluir a compra de produtos em marketplaces e o uso de bancos digitais e de transportes por aplicativo no cotidiano. A regulamentação entrará em vigor no dia 2 de novembro.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Conselho da Meta aponta falhas recorrentes na moderação eleitoral (Folha)
O Conselho de Supervisão da Meta afirmou que a empresa apresenta falhas recorrentes na moderação de conteúdo eleitoral e cobrou mais transparência e consistência nas regras - citando restrições técnicas que atingiram contas do presidente Lula e perfis de ativistas políticos nos EUA.
O órgão apontou que a aplicação excessiva das políticas contra fraudes às contas de anúncios de Lula representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas para revisão.
_ Entidades pedem ao Congresso dos EUA investigação sobre a Meta na eleição brasileira (Folha)
Cinco organizações da sociedade civil - entre elas o Washington Brazil Office e o Center for Economic and Policy Research - pediram ao Congresso americano que investigue a atuação da Meta durante as eleições brasileiras.
A carta afirma que "uma empresa de tecnologia sediada nos Estados Unidos pode não estar aplicando suas políticas de moderação de forma consistente, transparente e em conformidade com a legislação brasileira".
_ Meta recusa canal de emergência para jornalistas atacados na eleição (UOL)
Diante de relatos recorrentes de bloqueios, suspensões e outras restrições envolvendo jornalistas, comunicadores e veículos de comunicação, o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais (Observatório) solicitou à Meta a criação de um canal direto para o encaminhamento e acompanhamento de casos urgentes, incluindo situações de ameaças, assédio, ataques digitais, bloqueios e suspensões de contas.
Em 16 de outubro, a Meta respondeu formalmente ao pedido e negou a criação desse canal específico com o Observatório. A empresa alegou complexidade técnica, jurídica e operacional e afirmou que o mecanismo poderia representar a “assunção de novas obrigações regulatórias”.
_ TCU aponta falhas no combate à exploração sexual infantil pela internet (TeleSíntese)
Auditoria do TCU identificou lacunas na atuação do poder público para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, com dificuldades na retirada de conteúdos ilícitos, preservação de provas digitais e integração de investigações entre órgãos de segurança.
O trabalho resultou no Acórdão 2515/2025 e apontou também que o uso de IA na criação e disseminação de material de abuso sexual representa um novo desafio normativo.
_ Vídeos de IA inundam eleição brasileira e desafiam autoridades eleitorais (NYT)
A inteligência artificial está desafiando as autoridades eleitorais brasileiras e remodelando a disputa presidencial, num país que passou anos combatendo mentiras eleitorais na internet.
_ ANPD aponta falhas na proteção de usuários do Discord e relata disputa judicial (TeleSíntese)
A ANPD identificou insuficiências nos mecanismos de proteção do Discord e adotou medida cautelar para suspender temporariamente as transmissões ao vivo da plataforma, após avaliação de que sua arquitetura não oferecia proteção suficiente para crianças e adolescentes.
A diretora Míriam Wimmer informou que o Discord recorreu à Justiça e que a agência mantém discussões com a empresa sobre o tema.
_ Conab sofre ataques hackers e alerta para possíveis falhas em seus sistemas (G1)
A Companhia Nacional de Abastecimento informou que seus sistemas têm sido alvo de ataques cibernéticos, incluindo tentativas de invasão que colocam em risco a segurança do ambiente tecnológico.
A Conab afirmou que os sistemas permanecem protegidos, mas podem apresentar instabilidades temporárias em razão das medidas preventivas adotadas; investigações estão em andamento.
▌ NEGÓCIOS
_ iFood Benefícios anuncia compra da Caju e mira liderança no segmento (Folha)
O iFood Benefícios anunciou a compra da rival Caju em negócio avaliado em centenas de milhões de reais, sujeito à aprovação do Banco Central e do Cade; o CEO Arthur Freitas afirma que a transação tem potencial de "dobrar o tamanho da operação".
O iFood Benefícios tem cerca de 1,7 milhão de cadastros, 65 mil empresas clientes e transaciona R$ 1,3 bilhão por mês, com crescimento de receita de 80% ao ano desde 2023.
▌ PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE DADOS
_ MP-SP abre procedimento sobre falha de segurança no Smart Sampa (Folha)
O Ministério Público de São Paulo abriu uma Notícia de Fato para apurar indícios de falha no Smart Sampa que teriam permitido acesso indevido às imagens dos equipamentos por quase um ano; a apuração ficará sob responsabilidade de uma Promotoria do Patrimônio Público.
Reportagem do UOL acessou câmeras de UBSs, escolas, creches, hospitais e UPAs por meio da brecha; o MP esclareceu que a medida não é uma investigação formal e que o promotor sorteado decidirá se instaura inquérito civil.
_ Nunes diz que Prefeitura de SP sabia da falha de segurança do Smart Sampa (Folha)
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a gestão municipal já tinha conhecimento da falha e monitorava um guarda civil suspeito de ter disponibilizado 181 logins e senhas do sistema - descrevendo a situação como uma "isca" para detectar acessos irregulares.
A exposição das senhas teria durado 11 meses; mesmo assim, Nunes afirmou que "o sistema é absolutamente seguro" e que não há "nenhuma ocorrência de utilização indevida".
🌍 Mundo
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ França convoca plataformas em reunião de emergência por protestos e saques (Wired)
O governo francês convocou TikTok e outras cinco plataformas para reuniões de emergência, pedindo moderação de conteúdo de protestos e imagens alteradas por IA; varejistas online como Vinted e eBay assinaram acordo para impedir a revenda de produtos saqueados.
Revisão do Wired encontrou no TikTok vídeos potencialmente alterados ou gerados por IA sob o termo de busca "blocus", além de publicações promovendo um "Ato II" dos protestos para 24 de outubro.
_ Agentes de IA da OpenAI enfraqueceram sistema interno de monitoramento (Reuters)
A OpenAI afirmou nesta terça-feira que dois de seus agentes de IA enfraqueceram partes de um sistema interno de monitoramento criado para detectar comportamentos indevidos - o caso mais recente de agentes de IA agindo de maneiras não previstas por seus desenvolvedores.
Embora a dona do ChatGPT tenha dito que os incidentes ocorreram durante tarefas internas de programação e não foram considerados os mais graves, a revelação evidencia que até os sistemas dos quais os desenvolvedores dependem para flagrar o mau comportamento da IA são vulneráveis aos próprios agentes que monitoram.
_ Os 3 cenários de Sam Altman para o "fim de jogo" da superinteligência (UOL)
Sam Altman descreveu a funcionários três "cenários finais" para tornar segura a corrida à superinteligência: uma agência internacional nos moldes da AIEA com poder de inspeção; a fusão dos principais laboratórios em uma única entidade coletiva; e uma terceira via batizada em referência a um teórico do setor.
A opção que Altman pareceu preferir, segundo duas fontes ouvidas pelo The Information, é a criação de uma organização internacional com poder para impor padrões de segurança - incluindo auditorias e monitoramento de recursos computacionais.
_ Por que o projeto da Anthropic define US$ 1 bi como limiar de risco em IA (Politico)
O projeto de lei proposto pela Anthropic usa o limite de US$ 1 bilhão em investimento - espelhado em uma lei da Califórnia - para definir quando o governo poderia bloquear um modelo avançado de IA considerado de alto risco.
_ UE abre investigação sobre a Booking.com por riscos de fraude online (Estadão)
A União Europeia iniciou nesta quarta-feira, 21, uma investigação sobre a agência de viagens online Booking.com, devido a supostas falhas no combate a anúncios falsos e golpes de phishing, fraude online onde criminosos se passam por empresas ou órgãos oficiais por e-mail, SMS, WhatsApp ou ligações para roubar senhas, dados pessoais e também dinheiro. Até o momento, a empresa não se manifestou.
_ CMA britânica propõe que Apple reduza taxas e barreiras no Apple Pay (Reuters)
A autoridade de concorrência do Reino Unido afirmou nesta terça-feira que busca afrouxar o domínio da Apple sobre os pagamentos por aproximação, propondo que a empresa reduza tarifas e remova barreiras técnicas, de modo a permitir que serviços rivais concorram com o Apple Pay.
A Competition and Markets Authority (CMA) disse que suas propostas resultariam em "tarifas de acesso substancialmente menores" e em um acesso mais fácil à tecnologia de pagamento por aproximação da Apple.
▌ JUDICIÁRIO
_ Meta tenta culpar funcionários que baixaram torrents para proteger executivos (Ars Technica)
A Meta argumenta que ninguém "decidiu" piratear livros para treinar IA, tentando isentar executivos da responsabilidade pelo uso de torrents no treinamento de seus modelos.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ Depoimentos revelam que TikTok ignorou alertas internos sobre exploração infantil (NPR)
Registros judiciais mostram que funcionários do TikTok alertaram repetidamente a liderança da empresa sobre riscos de exploração sexual de menores nas transmissões ao vivo - conteúdo pelo qual usuários pagavam e a empresa lucrava, configurando potencial crime financeiro.
Funcionários também sinalizaram que usuários menores de 18 anos usavam brechas para acessar conteúdo restrito por idade e bloquear o monitoramento de pais e responsáveis; o TikTok teria evitado realizar pesquisas sobre a idade de seus usuários por receio de ter que entregar os resultados à FTC.
▌ NEGÓCIOS
_ Joel Kaplan, chefe de políticas globais da Meta, deixa a empresa após 15 anos (NYT)
Joel Kaplan, chefe de políticas globais da Meta e principal conselheiro de Mark Zuckerberg em Washington, anunciou nesta terça-feira que está deixando a empresa após 15 anos.
Ex-assessor sênior de George W. Bush e conhecido por seus laços com o Partido Republicano, Kaplan, de 57 anos, comanda há mais de uma década a equipe de políticas públicas da Meta em Washington e, mais recentemente, ajudou a construir a relação da empresa com o governo Trump. Segundo comunicado da Meta, ele permanecerá no cargo até as eleições de meio de mandato e sairá em algum momento do ano que vem.
_ Anthropic registra prejuízo de US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre de 2026 (UOL)
O prejuízo da Anthropic no 1º semestre de 2026 saltou para US$ 80,7 bilhões - ante US$ 13 bilhões no ano anterior -, em grande parte por um encargo contábil de US$ 72 bilhões ligado ao aumento no valor estimado de títulos conversíveis, não a custos operacionais em dinheiro.
A empresa, que prevê IPO em novembro, gastou quase US$ 9 bilhões em computação e infraestrutura no semestre e se comprometeu a investir pelo menos US$ 518 bilhões ao longo de uma década em serviços em nuvem e infraestrutura.
▌ INFRAESTRUTURA
_ Europa quer data centers, mas metas climáticas travam expansão (Wired)
A Alemanha pretendia dobrar sua capacidade de data centers até 2030 e quadruplicar a computação disponível para IA, mas as exigências climáticas da Lei de Eficiência Energética - que obrigava a reciclagem do calor gerado - foram abandonadas em junho após protestos do setor.
O recuo alemão ilustra o dilema europeu entre ambições de soberania em IA e compromissos de reduzir emissões de gases do efeito estufa em 55% até 2030.
▌ PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE DADOS
_ Ciberataque atinge maior banco da Índia e expõe dados de clientes (Bloomberg)
O State Bank of India abriu investigação após ataque cibernético que expôs milhares de registros de clientes com dados pessoais na dark web.
_ Meta Muse expõe segredos pessoais e empresariais ao compartilhar conversas (Ars Technica)
A Meta suspendeu o recurso de compartilhamento do Meta Muse enquanto investiga uma falha de privacidade que expõe informações pessoais e empresariais de usuários ao compartilhar conversas.
▌ GEOPOLÍTICA
_ Musk teria ordenado desaceleração do Starshield na Ucrânia e falado com Trump (WSJ)
Elon Musk ordenou a redução da velocidade de uma versão de nível militar da Starlink da qual a Ucrânia depende, decisão que provocou pânico em Kiev e confusão dentro do governo Trump, segundo autoridades americanas e pessoas a par do assunto.
_ China quer controlar exportações de seus principais modelos de IA (NYT)
Regras em elaboração mostram como a China tenta equilibrar preocupações de segurança nacional com o objetivo de superar os EUA no desenvolvimento de inteligência artificial.
_ China exige que EUA revoguem veto ao DeepSeek em agências federais (G1)
O Ministério do Comércio da China cobrou os EUA a "corrigir imediatamente as práticas incorretas" após o DHS proibir o uso do DeepSeek nos sistemas de agências federais, alegando que o modelo representa "múltiplos vetores de ameaça".
Pequim afirmou estar "profundamente insatisfeita e se opõe firmemente" à medida, e disse que tomará "todas as medidas necessárias" para proteger seus interesses.
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