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(Nosso take do dia)
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Se IA foi a tecnologia mais visível da eleição, talvez episódios mais interessantes tenham acontecido em outros lugares. Em 2026, campanhas, apoiadores e redes de influência parecem ter ido além nas bordas das categorias usadas pelas regras eleitorais.
Não se trata necessariamente de ilegalidade, necessário ver caso a caso. Em vários episódios, inclusive, não há decisão dizendo que houve infração. O ponto é outro: parte relevante da inovação da campanha ocorreu justamente onde não é tão simples dizer se algo passou dos limites.
Um primeiro exemplo foram collabs do Instagram. Desde 2024, o TSE exige que as plataformas deixem de recomendar organicamente conteúdo publicado pelos perfis oficiais dos candidatos para quem não os segue. Só que o Instagram permite publicar um mesmo post simultaneamente em duas ou mais contas por meio da função collab. Em setembro, foi pedida pela campanha de Lula uma investigação no TSE sobre uma rede ligada a Flávio Bolsonaro, com 1.826 collabs envolvendo 492 perfis. A hipótese é que a ferramenta permitiria ao conteúdo do candidato voltar a circular por meio de páginas de apoio que não estavam sujeitas à mesma restrição. O TSE determinou a preservação e o fornecimento de dados, mas ainda não concluiu que a estratégia era irregular. A Folha detalhou a investigação e o crescimento da rede de collabs aqui.
A restrição de alavancagem de perfis oficiais do TSE causou, de fato, muito debate entre as candidaturas. As plataformas dependem dos perfis declarados pelos candidatos ao TSE para aplicar a regra que impede sua recomendação algorítmica - e candidatos de todos os espectros se depararam com o cumprimento (e a fiscalização) dessa regra na prática. Um levantamento posterior encontrou outros candidatos com perfis omitidos ou URLs incorretas, produzindo distorções semelhantes. O alarde de candidaturas, a dificuldade de implementação e a realidade de campanhas ocorrendo por fora dos perfis oficiais levaram pesquisadores a questionarem se não haveria espaço para outros arranjos regulatórios sobre visibilidade das eleições nas redes sociais.
A zona cinzenta aparece de outra forma em novos padrões de relacionamento com influenciadores formalmente independentes. É o caso do Direita Já, site oficial declarado pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE, que oferecia a centenas de criadores briefings semanais, conteúdo antecipado e suporte de produção. O senador eleito Gustavo Gayer também anunciava a possibilidade de assessoria e de convites para encontros e gravações com candidatos. Alguns influenciadores relataram crescimento de audiência depois de serem compartilhados por Flávio e passaram a monetizar essa exposição. A questão é relevante para a legislação eleitoral, que proíbe o “publipost”. Em algum momento acesso, assistência de produção, exposição e outros benefícios deixam de ser apenas mobilização política e passam a integrar uma estrutura profissional de campanha?
A eleição também repisou o valor das audiências que foram construídas para falar de outros temas, desde cedo. Na véspera do primeiro turno, Núcleo e Agência Pública identificaram grandes páginas de fofoca no Instagram publicando, de forma semelhante e quase simultânea, conteúdo favorável aos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e Simone Tebet. Nenhuma delas sinalizava se o conteúdo era publicidade. A reportagem não demonstrou que as campanhas haviam pago pelas publicações, e é justamente essa incerteza que torna o caso rumoroso. Uma página de fofoca oferece uma audiência gigantesca, construída fora da política, e pode inserir nela uma mensagem eleitoral com a aparência de mais um conteúdo editorial do feed. Se não houver prova de pagamento ou coordenação, a fronteira entre propaganda, opinião do criador e circulação orgânica fica difícil de delinear.
Por fim, a própria IA teve usos efetivos mesmo quando não tentou enganar ninguém. No Piauí, a campanha vitoriosa de Júlio César ao Senado transformou “Julim do Lula” em uma espécie de personagem digital e incorporou criações com inteligência artificial à estratégia de redes. Segundo números divulgados pela própria campanha, seu perfil no Instagram chegou a 16 milhões de visualizações apenas em setembro.
Estes são só alguns episódios que nos interessaram. A miríade de táticas traz uma série de perguntas sobre efetividade e fiscalização que certamente serão objeto de discussão no campo das políticas digitais - até porque todos os espectros aparecem nesses esforços em chegar às telas dos eleitores.
Chico e Gallo
Prompt:
(As manchetes mais importantes)
🏛️ Conselho do Senado aprova parecer sobre PL de mercados digitais
🤖 Ferramentas de IA mudam consumo e desafiam estratégias do ecommerce
🧠 Altman: "coisas ruins vão acontecer" com IA, mas os benefícios valem
📱 Meta, TikTok e X contestam exigências de dados da Ofcom no Reino Unido
👶 Reino Unido investiga avaliação de risco do Instagram Instants pela Meta
🍔 McDonald's enfrenta ação coletiva por fixação de preços via IA
🎵 Gravadoras divididas: enfrentar ou colaborar com as IAs musicais?
🖥️ Nvidia caminha para se tornar a 1ª empresa a valer US$ 6 trilhões
🇧🇷 Brasil
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ CCS aprova parecer em defesa da regulação de mercados digitais (Senado)
O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional aprovou parecer ao PL 4.675/2025, que impõe obrigações especiais de concorrência e transparência às big techs, e prevê audiência pública sobre o tema em 7 de outubro.
_ Ferramentas de IA mudam hábitos de consumo e desafiam estratégias de gigantes do ecommerce (Folha)
Agentes de IA como ChatGPT, Gemini e Claude já fazem parte da jornada de compra de consumidores - e em alguns casos executam a compra autonomamente, modelo chamado de comércio agêntico.
Dados da Similarweb citados por relatório do BTG Pactual mostram que acessos a sites de varejo originados por IA cresceram 203% entre junho de 2025 e maio de 2026, mas ainda representam apenas 0,4% do tráfego total.
_ AGU usa IA para processar 100 mil comunicações judiciais por dia (Convergência Digital)
A Advocacia-Geral da União já usa IA para lidar com o volume diário de comunicações judiciais e, até o final de outubro, vai permitir que seus usuários escolham entre GPT, Claude, Gemini e DeepSeek.
A fase atual envolve testes com 500 pessoas; o objetivo é usar os LLMs para extrair dados e agilizar fluxos de trabalho, com equipe dedicada ao controle de custos de tokens.
▌ INFRAESTRUTURA
_ Starlink ultrapassa TIM e vira a 4ª maior provedora do Brasil (Convergência Digital)
Em agosto, a Starlink chegou a 936,8 mil acessos ativos de banda larga, superando a TIM, que ficou com 929,8 mil, segundo dados da Anatel.
O mercado nacional fechou agosto com 57,89 milhões de assinantes - alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2025; Claro lidera com 10,87 milhões, ou 12,07 milhões somando a Desktop.
🌍 Mundo
▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS
_ Altman diz que "coisas ruins vão acontecer" com IA, mas vale a pena (The Verge)
O CEO da OpenAI afirmou que a sociedade deve aceitar hacks, golpes e outros malefícios como custo do progresso em IA, porque "as pessoas farão ordens de magnitude a mais de coisas boas" com a tecnologia.
Altman usou a posição para diferenciar a OpenAI da Anthropic, cujos ex-funcionários fundaram a empresa após desentendimentos sobre segurança em IA - e cujo CEO, Dario Amodei, vem sendo pressionado por aliados de Trump a abandonar o que chamam de abordagem "alarmista".
_ OpenAI adota marca d'água em textos para se adequar ao AI Act da UE (Mobile Time)
A OpenAI vai aplicar marca d'água invisível nos outputs do ChatGPT e do Codex destinados a usuários da União Europeia, como parte das adaptações exigidas pelo AI Act.
A ferramenta de detecção não será aberta ao público por riscos de falsos positivos e limitações técnicas - como enfraquecimento do sinal ao reescrever trechos ou substituir palavras por sinônimos.
_ Senador republicano pressiona Anthropic por discurso "alarmista" sobre IA (Axios)
O senador Bernie Moreno (R-Ohio) enviou carta ao CEO da Anthropic, Dario Amodei, pedindo que ele abandone a "abordagem alarmista" e os "comentários geradores de pânico" sobre inteligência artificial.
_ Meta, TikTok e X contestam exigências de dados da Ofcom no Reino Unido (Reuters)
Meta, TikTok e X estão contestando o regulador britânico Ofcom quanto ao volume de informações que ele vem exigindo das empresas no âmbito do incipiente regime de segurança online do Reino Unido.
A contestação é uma das primeiras relacionadas ao Online Safety Act, de 2023, que estabelece padrões mais rígidos para plataformas como TikTok, X e Facebook e Instagram, da Meta, com o objetivo de proteger crianças de conteúdos nocivos e ilegais.
_ Reino Unido investiga avaliação de risco do Instagram Instants pela Meta (Reuters)
O regulador de comunicações do Reino Unido abriu nesta terça-feira sua primeira investigação formal contra a Meta com base no Online Safety Act, questionando se a empresa avaliou adequadamente os riscos do recurso Instants, do Instagram, antes de lançá-lo em maio.
O Instants permite que conteúdos compartilhados por usuários no Instagram desapareçam depois de visualizados. A Ofcom afirmou que a investigação vai apurar se a Meta realizou uma avaliação "adequada e suficiente" dos riscos de conteúdo ilegal no recurso e de eventuais riscos às crianças antes do lançamento.
_ Reino Unido vai monitorar continuamente dispositivos médicos baseados em IA (Reuters)
Dispositivos médicos baseados em IA precisarão de monitoramento constante mesmo depois de aprovados para uso, em vez de uma única verificação de segurança antes da aprovação, afirmou nesta terça-feira o chefe da agência reguladora de medicamentos do Reino Unido.
O governo britânico vai acatar todas as 44 recomendações de um relatório sobre o processo de aprovação dessas ferramentas de IA, informou.
▌ JUDICIÁRIO
_ McDonald's enfrenta ação coletiva por fixação de preços via IA (Reuters)
O McDonald's foi processado na Justiça federal em Chicago em uma proposta de ação coletiva de alcance nacional que acusa a rede de fast-food de coordenar ilegalmente os preços do cardápio entre suas franquias e restaurantes próprios por meio de um sistema de precificação com inteligência artificial.
A ação, protocolada na sexta-feira, afirma que o McDonald's violou a legislação antitruste dos Estados Unidos ao conspirar com franqueados independentes para fixar preços usando algoritmos treinados com dados não públicos.
▌ SEGURANÇA ONLINE
_ OpenAI muda sistemas após invasão a portal de saúde na Austrália (NYT)
A OpenAI alterou seus sistemas para permitir "intervenção imediata" depois que seus modelos saíram do controle e obtiveram acesso não autorizado a sistemas do governo australiano em junho, segundo um executivo da empresa.
O diretor de estratégia da OpenAI, Jason Kwon, compareceu nesta terça-feira a uma audiência parlamentar em Sydney, buscando tranquilizar a população de que há salvaguardas para impedir novas violações.
_ Coreia do Sul suspeita de uso de IA em ataques ao sistema financeiro (O Globo)
A polícia sul-coreana abriu investigação sobre ataques cibernéticos que atingiram pelo menos sete instituições financeiras do país, após o presidente Lee Jae Myung afirmar que há indícios de uso de IA nas invasões.
Mais de 68 mil pessoas foram afetadas pelos ataques, segundo a Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul; o presidente alertou que a IA pode facilitar invasões "até mesmo para aqueles que não possuem habilidades especiais".
▌ NEGÓCIOS
_ Meta e Microsoft reduzem uso interno do Claude da Anthropic (The Information)
Meta e Microsoft trabalham para diminuir a dependência de seus funcionários ao Claude, da Anthropic, incluindo desenvolvedores que usavam o Claude Code.
_ Gravadoras em crise existencial diante da IA musical (The Economist)
As grandes gravadoras enfrentam a difícil escolha entre combater os laboratórios de IA musical emergentes ou firmar acordos de cooperação com eles.
_ Moonshot AI mira IPO em Hong Kong no início de 2027 com valor de US$ 50 bi (Bloomberg)
A Moonshot AI fechou sua última rodada privada de captação com valuation de cerca de US$ 50 bilhões e se encaminha para uma oferta pública inicial em Hong Kong no primeiro trimestre de 2027.
_ Nvidia se aproxima de US$ 6 trilhões em valor de mercado (Bloomberg)
A Nvidia está a ponto de se tornar a primeira empresa da história a atingir US$ 6 trilhões em capitalização de mercado, com investidores voltando ao papel em novo recorde.
_ TikTok lança assistente de IA para compras e checkout em um clique (TechCrunch)
O TikTok estreou o Shopping Assistant, agente conversacional de IA que ajuda usuários a encontrar e comprar produtos, e lançou o Buy Direct para checkout em um clique diretamente na plataforma.
▌ INFRAESTRUTURA
_ CEO da AMD prevê demanda "muito alta" por chips por vários anos (Bloomberg)
Lisa Su, presidente da AMD, previu que a demanda por chips seguirá "muito alta" pelos próximos anos e pediu maior cooperação entre empresas de IA para lidar com os desafios do setor.
_ Google e Constellation próximos de acordo de energia nuclear (Reuters)
A Alphabet, controladora do Google, está perto de fechar um acordo plurianual de US$ 1 bilhão ou mais para comprar energia nuclear da Constellation Energy, informou a Bloomberg News nesta segunda-feira, citando pessoas a par do assunto.
O acordo pode ser anunciado já nesta semana, segundo a reportagem. A crescente demanda de eletricidade gerada pela computação de IA renovou o interesse pela energia nuclear, que oferece energia estável e livre de carbono.
▌ PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE DADOS
_ Brecha na Oracle Health em 2025 expôs dados de 20 milhões de pessoas (Bloomberg)
Um vazamento ocorrido no ano passado na unidade de saúde da Oracle comprometeu informações pessoais de quase 20 milhões de pessoas, conforme revelado pelo procurador-geral do Texas.
▌ GEOPOLÍTICA
_ China ainda não consegue atrair pesquisadores estrangeiros de IA (NYT)
Apesar do boom do setor de IA chinês e de uma ofensiva governamental para atrair talentos, o país ainda não consegue recrutar cientistas estrangeiros de alto nível na disputa com os Estados Unidos.
_ Ucrânia usa torres robóticas com IA para derrubar drones russos a jato (O Globo)
A Força Aérea ucraniana confirmou o uso de torres robóticas com visão óptica e IA para reduzir a intervenção humana no abate de drones russos movidos a jato, incluindo o modelo Geran-5.
As torres começaram a ser instaladas em pontes de Kiev como resposta à escassez de munição adequada para interceptar os novos drones russos, mais rápidos e difíceis de derrubar do que os Shahed iranianos.
_ Rússia diz ter atacado data centers em cidades ucranianas (G1)
O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido centros de dados em várias grandes cidades da Ucrânia durante ataques realizados na madrugada desta terça-feira.
▌ ESTUDOS E PESQUISAS
_ Só 11% das empresas conseguem prever seus gastos com IA, aponta pesquisa (WSJ)
Levantamento com 396 empresas mostra que apenas 11% são capazes de projetar seus gastos com IA; pesquisa da Microsoft revela ainda que modelos de preço mais baixo podem sair mais caros do que os de alto desempenho.
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