Input:

(Nosso take do dia)


Eventual descumprimento de obrigações para as plataformas digitais incorporadas nas regras da Justiça Eleitoral em 2019, 2021, 2024 e 2026 gera quais consequências? Quais são as sanções de descumprimento se uma empresa de tecnologia não faz o que o TSE coloca em resolução? Quais instrumentos a Justiça tem para cobrar a obediência das plataformas? Desde que o TSE começou a editar regras mais específicas para provedores, o questionamento é reiterado, e agravado pelo fato de que não há na legislação eleitoral menção direta a sanção a empresas, como multas. Assim, quanto mais regras do tipo o Tribunal editou (que, importante dizer, são para o detalhamento do cumprimento da legislação conforme a jurisprudência já consolidada), mais a dúvida apareceu.

A resposta apareceu na semana passada, em decisão tomada pela Corte na representação da campanha de Lula contra a Meta, que alegava que o funcionamento de seus produtos produziu uma seletividade em favor da campanha adversária. A Meta se defendeu veementemente: negou qualquer manipulação de seus algoritmos, atribuiu um bloqueio de anúncios a um erro automatizado e afirmou cumprir isonomicamente as regras do TSE sobre recomendação de perfis oficiais. 

Confirmada pelo plenário na sexta-feira, a decisão liminar do ministro Marco Aurélio Bellizze impôs uma série de medidas à empresa para assegurar “paridade de armas”, uma série delas baseada nas regras recém criadas pela Justiça Eleitoral. A consequência? Multa diária de R$ 500 mil. A lista de determinações foi a seguinte:

  • Em distribuição de conteúdo: abster-se de aplicar restrições seletivas à distribuição de conteúdos políticos, salvo com fundamento em políticas previamente estabelecidas e aplicadas igualmente às candidaturas. A empresa também deverá limitar a exclusão dos sistemas de recomendação aos perfis oficiais das candidaturas do segundo turno e a seus conteúdos orgânicos, sem estender a restrição a perfis de terceiros.

  • Em anúncios pagos: submeter restrições a contas e impulsionamentos eleitorais à revisão humana, corrigindo em até duas horas eventuais bloqueios automatizados. A empresa deverá ainda reverter definitivamente restrições aplicadas por erro e repor impulsionamentos contratados que eventualmente deixaram de ser entregues. E mais: como a campanha apresentou uma lista de anúncios supostamente irregulares que teriam passado dos filtros da Meta, Bellizze decidiu por impedir a veiculação de anúncios eleitorais pagos por terceiros não autorizados, inclusive anunciantes no exterior, e terminou que a empresa preste contas dos anúncios suspensos, seus responsáveis e valores gastos.

  • Inteligência artificial: aplicar e divulgar critérios idênticos na Meta AI (“atendendo ou recusando ambas” solicitações de produção de material, por exemplo), determinação decorrente do rumoroso caso publicado na imprensa, verificar a rotulagem de 1.204 publicações e cumprir as restrições à circulação de novos conteúdos sintéticos na reta final da eleição.

  • Em contas inautênticas: concluir a apuração interna de perfis suspeitos de atuação inautêntica e informar as providências adotadas. Bellizze rejeitou, porém, a remoção em bloco dessas contas, por entender que a medida exige demonstração individualizada das irregularidades.

  • Em transparência e prestação de contas: fornecer informações técnicas sobre o alcance das publicações dos dois candidatos, a distribuição algorítmica de conteúdos, as restrições aplicadas a perfis de terceiros e os critérios utilizados pela Meta AI. A empresa também deverá prestar contas das denúncias recebidas das campanhas, das medidas adotadas e dos respectivos tempos de resposta, em cumprimento aos deveres de transparência e às determinações judiciais de produção de provas.

A multa diária não constitui propriamente uma nova sanção eleitoral por violação das resoluções, nem poderia constituir. Trata-se de uma medida de coerção, prevista para juízes fazerem cumprir suas decisões. A distinção é relevante, pois a Lei das Eleições proíbe o TSE de criar sanções distintas das estabelecidas em lei ao exercer seu poder regulamentar (no artigo 105). O caminho adotado foi outro: a Justiça transformou obrigações em comandos judiciais específicos, cujo descumprimento pode produzir consequências financeiras.

A decisão também tem sinais importantes. Bellizze não concluiu que a Meta tivesse manipulado deliberadamente seus sistemas para favorecer uma candidatura. Pelo contrário, reconheceu a insuficiência de provas para essa conclusão e rejeitou os pedidos de recomposição do alcance supostamente perdido e de remoção em bloco de perfis. As providências impostas têm natureza predominantemente preventiva, buscando assegurar critérios isonômicos e corrigir falhas identificadas, sem garantir a qualquer candidato determinado resultado de distribuição. Para completar a história, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu para ingressar como “terceiro interessado” no processo, alegando que também havia sido prejudicada pela empresa.

A reação da Meta à decisão ilustra os desafios de implementação dessas obrigações. Em comunicado publicado na sexta-feira (16), a empresa anunciou que desenvolverá, até segunda-feira (19), um sistema para permitir anúncios eleitorais apenas de candidatos, partidos e coligações autorizados. O problema é que seus sistemas não distinguem automaticamente a propaganda eleitoral, tal como definida pela legislação brasileira, da categoria mais ampla de anúncios sobre política e temas sociais. Como consequência, segundo a empresa, ONGs, veículos de imprensa, órgãos governamentais e outras organizações ficarão impedidos de veicular anúncios considerados “políticos” até depois do segundo turno. A Meta reconhece também o risco de bloqueios indevidos de anunciantes autorizados.

A diferença em relação ao caso de Nunes Marques, que discutimos neste espaço na semana passada, é significativa. Naquele episódio, um instrumento de fiscalização geral dos deveres do WhatsApp foi utilizado para determinar a suspensão de um canal inteiro; agora, Bellizze recorreu a um processo judicial para exigir obrigações da própria plataforma, rejeitando a remoção indiscriminada de contas e a garantia de resultados específicos de alcance.

Por sua vez, a reação da Meta à ordem sobre anúncios mostra que mesmo determinações voltadas ao cumprimento da legislação podem produzir restrições mais amplas do que as pretendidas pelo Judiciário. Os dois casos revelam, por caminhos distintos, os desafios que acompanham a transformação definitiva do TSE em regulador das plataformas.

***

No domingo, o ministro afirmou que a Meta havia cumprido parcialmente a sua decisão e deu mais 24 horas para a empresa comprovar a adoção de todas as medidas.

Chico e Gallo

Prompt:
(As manchetes mais importantes)

⚖️ TSE dá 24h para Meta comprovar medidas tomadas para garantir isonomia

📱 Governo Lula recomenda ao MPF ação civil pública contra a Meta

🗳️ Coligação de Lula aciona PF e PGE por suposto benefício ilegal da Meta

🏛️ Ministério da Justiça pede à ANPD que investigue Meta
📣 Organizações protestam contra suspeitas de interferência da Meta

📊 Meta é a empresa que mais arrecadou nas eleições brasileiras de 2026

🔍 Campanhas convocam seguidores a manipular o Google Trends no debate

⚖️ Estados dos EUA assumem papel de fiscais antitruste ante recuo federal

🤖 Citi e Bank of America restringem acesso de agentes de IA a contas de clientes

🧠 Anthropic planeja destinar 5% de suas ações a fundo de bem público

💰 IPO da Anthropic sofre tombo e Wall Street torce nariz para IA

🔌 Boom de data centers nos EUA enfrenta atrasos, dívidas e resistência

🌍 China amplia controles de exportação sobre drones e maquinário

🛰️ EUA ameaçam UE com retaliação se restringir empresas americanas

🇧🇷 Brasil

▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS

_ TSE dá 24h para Meta comprovar medidas tomadas para garantir igualdade entre campanhas (G1)

  • O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, deu 24 horas para que a Meta (dona do WhatsApp, Facebook e Instagram) comprove que cumpriu a decisão da Corte que determinou a adoção de medidas para garantir isonomia na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno das eleições.

  • Segundo o ministros, os prazos já se esgotaram e não cabe à empresa fixar prazos por conta própria, diferentes dos ficados pelo TSE, passando de 72 horas para cinco dias.

_ Governo Lula sugere ao MPF ação contra a Meta por opacidade na moderação (Folha)

  • O governo recomendou à PFDC que protocole imediatamente ação civil pública contra a Meta por falta de transparência na moderação de conteúdos durante as eleições.

  • A nota técnica sugere que o MPF peça à Justiça que obrigue a Meta a restabelecer contas e funcionalidades limitadas em 15 dias, sob multa diária de R$ 500 mil por descumprimento.

_ Coligação de Lula aciona PF e PGE por suposto benefício ilegal da Meta à campanha de Flávio (O Globo)

  • A coligação "Brasil Pronto para Mais" acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar se a campanha de Flávio Bolsonaro recebeu vantagens econômicas não declaradas da Meta.

  • Entre setembro e outubro, vídeos curtos de Flávio tiveram média de 6,6 milhões de visualizações - acima dos de Lula, que tem mais seguidores; a coligação estima que o excedente equivale a cerca de R$ 7,4 milhões em impulsionamento pago.

_ Ministério da Justiça pede que ANPD investigue Meta por Marco Civil (G1)

  • O MJSP pediu à ANPD que investigue se a Meta está descumprindo o Marco Civil da Internet, após relatos de bloqueios e restrições de conteúdo sem fundamentação ao usuário.

  • A CTRL+Z contabilizou 1.121 relatos entre 25 de setembro e 13 de outubro envolvendo supressão de alcance e restrição de funcionalidades nas plataformas da Meta.

_ Campanha de Lula deve pedir investigação contra Meta após mensagens internas (Folha)

  • A campanha de Lula planeja abrir processo na Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (19), provavelmente na forma de uma Aije, após a Folha revelar mensagens internas em que funcionários da Meta admitiram que o petista foi prejudicado por restrições da plataforma.

  • Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens no feed do Instagram; a equipe também identificou que a Meta AI aparecia indevidamente recomendando o perfil de Flávio Bolsonaro em buscas no WhatsApp.

_ Alvo de polêmica, Meta é a empresa que mais arrecadou na eleição do Brasil (Valor)

  • A Meta, é a empresa que mais recebeu dinheiro de campanhas nas eleições brasileiras deste ano.

  • Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do início da campanha, em agosto, até a quarta-feira (14), a empresa havia recebido R$ 282,4 milhões das contas das candidaturas.

_ Proposta de Flávio de 1 milhão de câmeras enfrenta obstáculos regionais e falta de eficácia (Folha)

  • A proposta de Flávio Bolsonaro de criar um sistema nacional de vigilância com reconhecimento facial enfrenta desigualdades regionais de capacidade tecnológica e ausência de comprovação científica de eficácia na redução de crimes.

  • Já existem quase 600 programas locais de vigilância em vigência no país; especialistas apontam riscos relacionados a brechas de segurança e uso ético dos dados dos cidadãos.

▌ JUDICIÁRIO

_ Debate sobre canais, IA e impulsionamento pode voltar ao TSE antes do 2º turno (CNN Brasil)

  • O TSE acompanha três frentes digitais que podem render novas disputas antes de 25 de outubro: canais de WhatsApp de apoiadores, ferramentas de IA e impulsionamento de conteúdo eleitoral.

  • Na sexta (16), o tribunal aprovou por unanimidade uma resolução que define quando um canal mantido por terceiros deve ser considerado oficialmente vinculado a uma campanha - norma que exige pelo menos um critério objetivamente verificável, como uso de recursos da campanha ou atuação coordenada.

_ Justiça federal manda Meta restabelecer contas de entidades estudantis no RS (Folha)

  • A 1ª Vara Federal de Porto Alegre determinou que o Facebook e a Meta restabeleçam em dois dias as contas de entidades estudantis da UFRGS e da UFCSPA bloqueadas após postagens sobre o cenário eleitoral.

  • A decisão prevê multa diária de R$ 10 mil por descumprimento e proíbe bloqueio de conteúdo político ou acadêmico exercido "no legítimo exercício da liberdade de expressão".

_ Uber deve enquadrar funcionários na categoria de TI (Valor)

  • Uma sentença da Justiça do Trabalho de São Paulo obrigou a Uber a enquadrar todos os seus empregados na categoria de tecnologia da informação (TI).

  • O efeito da decisão vai ser a readequação da jornada

    para 40 horas semanais, conforme a convenção coletiva da categoria, e o pagamento da diferença de horas trabalhadas como horas extras.

▌ SEGURANÇA ONLINE

_ 'Tropa do Flávio' e 'Exército do Lula' tentam manipular o Google Trends no debate (Valor)

  • Canais de apoio a Lula e a Flávio Bolsonaro convocaram seguidores a forçar buscas no Google para tentar manipular os resultados do Google Trends durante o debate na Band, no domingo (18).

_ Organizações protestam contra Meta e cobram transparência na moderação (Folha)

  • Organizações de direitos digitais convocaram ato para esta segunda-feira (19), às 17h, em frente à sede da Meta na Faria Lima, sob o mote "Meta, não se meta na nossa eleição".

  • O ato é organizado por CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil, que cobram transparência, reparação e revisão humana nos processos de moderação.

▌ SOCIEDADE / COMPORTAMENTO

_ Algoritmo de redes capta momentos de tristeza e piora estado emocional do usuário (Folha)

  • Pesquisadores da UCLA concluíram que algoritmos de redes sociais identificam momentos de tristeza dos usuários e passam a oferecer progressivamente mais conteúdo sobre vulnerabilidade emocional, podendo chegar a postagens sobre automutilação e suicídio.

  • O mecanismo funciona pelo tempo de audiência: quanto mais o usuário consome um tipo de conteúdo, mais a plataforma o multiplica no feed, criando um ciclo que aprofunda o estado emocional negativo.

_ Uso de IA por universitários avança mais rápido que a regulação nas universidades (Folha)

  • No Brasil, 84% dos universitários usaram IA generativa nos estudos em 2025, ante 52% dois anos antes - mas um levantamento identificou apenas 27 documentos institucionais sobre o tema em 111 universidades públicas mapeadas.

  • O Conselho Nacional de Educação aprovou em setembro um parecer que, se homologado, deverá mudar esse cenário a partir de 2027.

▌ INFRAESTRUTURA

_ Treme Terra: data center de IA avança na Amazônia sem licença ambiental (Agência Pública)

  • O primeiro data center de IA da Amazônia, anunciado pela Elea Data Centers em junho de 2026 para Belém, avança sem licenciamento ambiental e gera preocupações com poluição sonora contínua.

_ Empresário defende "zonas de exclusão" com leis próprias para atrair data centers ao Brasil (CNN Brasil)

  • Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e apoiador de Flávio Bolsonaro, defende a criação de áreas no Brasil com regimes tributários, ambientais e trabalhistas próprios para atrair investimentos em data centers e IA - uma espécie de "país à parte" dentro do território nacional.

  • Gomes integra a Rockbridge Network, grupo americano de direita cofundado pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e por um sócio de Donald Trump Jr., e cita o modelo de zonas econômicas especiais da China nos anos 1980 como inspiração.

🌍 Mundo

▌ REGULAÇÃO / POLÍTICAS PÚBLICAS

_ Citi e Bank of America restringem acesso de agentes de IA a contas de clientes (Folha)

  • Citigroup e Bank of America passaram a bloquear agentes de IA de terceiros de acessar contas e realizar transações em suas plataformas, citando preocupações regulatórias sobre movimentação não autorizada de recursos.

  • Brian Moynihan, do BofA, declarou: "Acreditamos firmemente que deve haver uma pessoa envolvida para autorizar a saída de dinheiro da sua conta."

_ Cidades e estados dos EUA tomam a frente na regulação de robotáxis (The Verge)

  • Frustrados com o impasse federal, municípios e estados americanos de diferentes espectros políticos estão aprovando leis próprias para restringir e regulamentar veículos autônomos.

  • A tendência inverte o entusiasmo inicial: Nevada foi o primeiro estado a legalizar carros autônomos em 2011, mas hoje mais de 1.000 comunidades no país tentam paralisar ou impor restrições a projetos de infraestrutura de IA e mobilidade autônoma.

_ Sites fecham as portas para agentes de IA (The Verge)

  • Plataformas populares como Yelp, Delta Air Lines, JPMorgan Chase e Charles Schwab estão bloqueando agentes de IA de realizar tarefas em seus serviços, frustrando promessas de OpenAI, Meta e Google.

  • O Yelp informou que só permite agentes de IA que paguem por seu programa de licenciamento de dados; usuários relatam que sites que antes funcionavam com seus agentes, como Cars.com e Amtrak, também passaram a bloqueá-los.

_ Varejistas dos EUA adotam precificação assistida por IA e geram apreensão nos consumidores (AP News)

  • Os consumidores americanos não estão apenas frustrados com os preços altos. Estão irritados e confusos com os métodos cada vez mais tecnológicos que redes de restaurantes e grandes varejistas usam para definir esses preços.

  • As etiquetas de preço digitais estão substituindo rapidamente as de papel nos corredores dos supermercados. Ferramentas de inteligência artificial ajudam as empresas a decidir quanto cobrar, prevendo como os clientes podem reagir. Termos como "precificação dinâmica" e "precificação de vigilância" vêm gerando ansiedade nas redes sociais, onde usuários se perguntam se pessoas diferentes estão pagando preços diferentes pelo mesmo produto.

_ Meta ajusta polêmica política de raspagem de dados após críticas (Gizmodo)

  • A Meta fez ajustes em sua nova política de uso de dados de sites de clientes após críticas, retirando explicitamente o termo "treinar" dos novos termos - mas mantendo a permissão de rastrear o conteúdo.

  • O porta-voz da News/Media Alliance alertou que a mudança apenas limita os usos declarados do conteúdo coletado, sem impedir o acesso em si: "Com o treinamento não sendo expressamente descartado, ainda está potencialmente na mesa."

_ Gigantes de IA acumulam passivos bilionários; seguradoras preocupadas com sinistros (WSJ)

  • As grandes empresas de IA acumulam potenciais passivos legais de dezenas de bilhões de dólares em incidentes de segurança, e seguradoras estão preocupadas com a extensão das indenizações.

_ Estados dos EUA assumem papel de fiscais antitruste ante recuo do governo federal (NYT)

  • Historicamente, quem estrutura fusões e aquisições pouco se preocupava com os procuradores-gerais estaduais. Mas, no segundo governo Trump, a ameaça de interferência dos estados passou a ocupar lugar central em toda negociação de fusão.

  • Enquanto as agências federais adotam uma postura de laissez-faire diante dessas operações, os estados intensificam a aplicação das leis antitruste para compensar.

_ Criadores do OnlyFans furiosos com a Meta por liberar conteúdo adulto no Muse (Wired)

  • Criadores de conteúdo adulto questionam por que a Meta permite que seu agente de IA Muse faça sexting com usuários enquanto restringe suas contas no Instagram e Facebook.

  • A Meta defende que "uma conversa privada entre um adulto e um agente de IA em plataforma restrita a maiores de 18 anos é muito diferente da promoção de serviços em redes sociais."

▌ JUDICIÁRIO

_ Disney pediu à Character.AI que decretasse falência para escapar de processos (Wired)

  • Documentos judiciais indicam que a falência da Character.AI foi estruturada para viabilizar um acordo com a Disney: a gigante do entretenimento fica com a equipe e a tecnologia, enquanto a casca da startup retém as responsabilidades legais por danos causados por seus chatbots.

  • A Character.AI enfrentava múltiplos processos privados e investigações regulatórias em todo o mundo, incluindo alegações de que seus chatbots incentivaram menores a se automutilarem e a matar seus pais.

▌ SEGURANÇA ONLINE

_ TikTok bane permanentemente conta do documentário sobre Elon Musk (Gizmodo)

  • O TikTok suspendeu permanentemente a conta do documentário Musk alegando "violações de política sobre conteúdo político", sem especificar a regra infringida - o filme é crítico a Elon Musk.

  • Outras grandes plataformas como Google/YouTube e Meta inicialmente bloquearam anúncios do filme, mas reverteram a decisão; o X, de Musk, recusou tanto os anúncios quanto qualquer interação com a distribuidora Bleecker Street.

_ Deepfakes em anúncios políticos: o pesadelo das eleições de meio de mandato nos EUA (Axios)

  • A IA está sendo usada para produzir anúncios eleitorais com imagens manipuladas - como Bíblias desfiguradas e um card "Morte à América" em um jogo de tabuleiro - confirmando os alertas sobre deepfakes eleitorais que as leis ainda não acompanharam.

▌ NEGÓCIOS

_ Anthropic planeja destinar 5% de suas ações a fundo de bem público (Valor)

  • A Anthropic informou que pretende destinar 5% de suas ações a um novo fundo voltado ao "bem público", incluindo ações para mitigar o impacto da IA no mercado de trabalho.

  • O anúncio ocorre no momento em que a Anthropic se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO) e busca responder a preocupações crescentes sobre a segurança da IA ​​e seus possíveis impactos não intencionais.

_ IPO da Anthropic sofre tombo e Wall Street passa a questionar valuations de IA (UOL)

  • Investidores passaram a discutir avaliação em torno de US$ 1,5 trilhão para o IPO da Anthropic previsto para novembro - cerca de US$ 500 bilhões abaixo do que circulava antes, após reunião fechada na sede da empresa em San Francisco.

  • A receita do terceiro trimestre chegou a US$ 16,8 bilhões (alta de 45%), mas a desaceleração em relação ao trimestre anterior - quando a receita mais do que dobrou - e um prejuízo de US$ 42 bilhões registrado em 2025 elevaram as dúvidas do mercado.

_ Deepseek V4.1 Flash supera rivais maiores em tarefas agênticas e reduz custos (The-decoder)

  • A chinesa Deepseek lançou uma versão atualizada de seu modelo Flash com ganhos expressivos em tarefas agênticas e de programação, superando nos benchmarks modelos maiores como Claude Opus 5 e GPT 5.6-Sol.

  • A empresa também abriu pela primeira vez seu mecanismo de busca interno para desenvolvedores externos e publicou os pesos do modelo como código aberto no Hugging Face e no ModelScope.

▌ INFRAESTRUTURA

_ Investimentos de US$ 10 tri em data centers nos EUA enfrentam atrasos e críticas (Folha)

  • Pelo menos 47 grandes projetos de data centers foram adiados, retirados ou bloqueados em 2026, segundo a RegLayer; analistas da Bernstein estimam que apenas cerca de 35% dos projetos planejados nos EUA são viáveis.

  • Mais de 1.000 comunidades nos EUA tentaram paralisar ou impor restrições a empreendimentos de infraestrutura de IA neste ano, enquanto dívidas e atrasos criam o que participantes do setor descrevem como um mercado de "Velho Oeste".

_ Microsoft abandona acordo de data center no Reino Unido em momento crítico para IPO da Nscale (O Globo)

  • A Microsoft desistiu de um acordo para um data center em Essex, no Reino Unido, com a startup Nscale, que planeja captar até US$ 3 bilhões em IPO - as autoridades locais informaram que não esperam fornecer energia ao local antes da década de 2030.

  • A Nscale depende da Microsoft e da Anthropic para cerca de 85% de seus contratos; seu principal empreendimento na Noruega também está seis meses atrasado, com apenas 6,4 dos 30 megawatts previstos em operação.

▌ PROTEÇÃO E SEGURANÇA DE DADOS

_ Agentes de IA são tão bons quanto os dados pessoais que você compartilha - e isso preocupa (AP News)

  • Agentes de IA dependem de informações pessoais para funcionar bem, e essa dependência levanta preocupações crescentes de privacidade.

_ A criptografia está sendo espremida por todos os lados (Wired)

  • O Canadá é o mais recente país democrático a propor legislação que pode criar backdoors em serviços de mensagens criptografadas - o Signal disse que sairia do mercado canadense se a lei passar, e a Psiphon VPN ameaça o mesmo.

  • Apple, Meta, DuckDuckGo e NordVPN também criticaram o projeto; a tendência se alastra por democracias do mundo todo, elevando o debate sobre quais países poderiam se tornar refúgio para serviços de privacidade.

▌ GEOPOLÍTICA

_ China amplia controles de exportação sobre drones e maquinário industrial (Bloomberg)

  • A China impôs novos controles de exportação sobre drones e maquinário industrial, exercendo sua força industrial como segunda maior economia do mundo.

_ EUA ameaçam UE com retaliação "devastadora" se restringir empresas americanas (Folha)

  • O embaixador americano na UE, Andrew Puzder, ameaçou retaliação "devastadora" caso o bloco prossiga com planos de reservar faixas de espectro para satélites exclusivamente a empresas europeias, o que limitaria a SpaceX e a Starlink no continente.

  • A SpaceX alertou que a medida pode piorar a conectividade na Ucrânia, onde o Starlink é essencial para comunicações civis e militares desde a invasão russa em 2022.

_ China propõe controlar exportações de tecnologias para equipamentos solares (Folha)

  • A China propôs adicionar 12 tecnologias fotovoltaicas à sua lista de controle de exportações, citando preocupações com segurança nacional - a revisão também abrange IA e biotecnologia.

  • Pequim já restringiu exportações dessas tecnologias para a Índia; analistas avaliam que a China busca preservar sua posição dominante no setor enquanto concorrentes tentam ampliar produção própria.

_ Enquanto o mundo debate os riscos, a IA já foi à guerra (Folha)

  • O governo Trump requisitou ao Congresso cerca de R$ 1 trilhão para sistemas militares autônomos e infraestrutura de IA no ano fiscal de 2027 - valor 45% superior ao período anterior; só o Grupo de Guerra Autônomo viu sua verba saltar de R$ 1,1 bilhão para R$ 285 bilhões.

  • O Pentágono cancelou neste ano um contrato de R$ 1 bilhão com a Anthropic para uso do Claude em seus sistemas; a empresa foi à Justiça e o caso segue em andamento.

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